quinta-feira, 19 de julho de 2012

Não é do frio dos meus ossos.
Da vida que naufragou
Erram no mar os destroços:
Lastro do que já não sou.

Não é do vento que esfria
A pele prostrada e nua:
Mortalha que me cobriu,
Inerte, a alma, na rua.

Nem tão pouco é do sereno,
Do nada que o acompanha:
Ah! Sossego extra-terreno
Do defunto que o não tenha.

Sem dúvida sei: é do gelo
Que ocupa o meu coração!
Sofro, condição de tê-lo,
Crónica constipação.

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