terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Sinto ainda no palato
O sabor do doce vinho.
Ecoa no meu olfato
O seu aroma a cravinho.

A luz carmim brilha e dança
Até tombar ao meu gosto.
Nos meus lábios a esperança
dos teus, tingidos de mosto.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Cessou-se a tristeza
No meu coração
E a garganta presa
Soltou-se em canção.

Os graves ventrais
E os doces agudos
Ressoaram tais
Que deixaram mudos

Os sábios e os loucos,
Os rios, e o vento...
E o silêncio aos poucos
Tomou-me o momento.

Era então só Eu
E o meu desejo.
Minha alma cedeu
E roubei-lhe um beijo!

E aspirei o mundo
Enchendo o pulmão...
De um sopro profundo
De inspiração.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ganho coisas que não quero.
Perco coisas que não tenho.
Desespero, enquanto espero
Pelo nada de onde venho.

Ah... Maldita impaciência!
Estéril insatisfação!
O motivo da existência
Escapa-se à minha razão.

Encontro o que não procuro.
Almejo o que não me assiste!
Persigo num quarto escuro
Algo que não sei se existe.

Nisto o meu tempo se esgota.
Jogo a vida, sem batota,
Num jogo de solidão.

E a morte, que é um momento,
Se me apanha desatento,
Faz-se ela sempre...   e eu não.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Quão distantes caminhámos
Nos passos da mesma vida
Que nunca nos encontrámos
Sem estarmos já de partida.

O mundo e os seus caminhos
Levaram-nos a acreditar
Que podíamos sozinhos
Ser felizes, sem amar...

Seja essa a tua estrada
Não mais te posso seguir.
Chegado à encruzilhada 
É o momento de partir.

Não lamento a tua perda!
Tarde ou cedo chega o dia 
Em que o amor nos deserda
E eis que te esqueço, Maria.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Jurei de caras com a morte
Na sua mais negra hora
Que não seguiria a sorte
Que escolheu meu pai outrora.

Reitero, por ser verdade.
Que se escreva a dita lei:
"Renego a infelicidade
Em nome do que eu jurei!"

terça-feira, 25 de junho de 2013

O teu coração é um buraco negro.
Guarda em si toda a luz do universo.
Encerra o indecifrável segredo
Da realidade e do seu reverso.

A tua alma é a morte de uma estrela.
Supernova em eterna convulsão.
Explodiu porque não pôde contê-la
O espaço, em toda a sua imensidão.

Mas quantas galáxias tu não me deste?
Quantos astros escondeste de mim?
Nada me serve o teu brilho celeste -
Luz que anuncia o princípio de um fim!

Anã branca em que tu te transformaste,
Sinto ainda a força do teu pulsar!
Onda de impacto, daquele desastre
Que por amor eu não pude evitar...

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Não culpes o vagabundo
Pela vida que escolheu.
Teve em sua mão o mundo.
Não o quis. Não era seu.

O doente, o moribundo...
Não chamou a si a dor.
Creste por mero segundo
Que escolheu ser sofredor?

Seca-lhe os olhos tristonhos!
Confessa-lhe que os seus sonhos
Não estavam na sua mão.

Acharmos que o que escolhemos
Nos trouxe a vida que temos
Não passa de uma ilusão!